A educação física e o
desenvolvimento infantil
A aprendizagem e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde que a
criança passa a ter contato com o mundo. Na interação com o meio social e
físico a criança passa a se desenvolver de forma mais abrangente e eficiente.
Isso significa que a partir do envolvimento com seu meio social são
desencadeados diversos processos internos de desenvolvimento que permitirão um
novo patamar de desenvolvimento.
A criança, por meio da observação, imitação e experimentação das
instruções recebidas de pessoas mais experientes, vivencia diversas experiências
físicas e culturais, construindo, dessa forma, um conhecimento a respeito do
mundo que a cerca.
Para que esses conceitos seja desenvolvidos
e incutidos no aprendiz, o meio ambiente tem que ser desafiador, exigente, para
poder sempre estimular o intelecto e a ação motora desta pessoa. No entanto,
não basta apenas oferecer estímulos para que a criança se desenvolva
normalmente, a eficácia da estimulação depende também do contexto afetivo em que
esse estímulo se insere, essa ação está diretamente ligada ao relacionamento
entre o estimulador e a criança. Portanto, o papel da escola no âmbito
educacional deve ser o de sistematizar esses estímulos, envolvendo-os em um
clima afetivo que serve para transmitir valores, atitudes e conhecimentos que
visam o desenvolvimento integral do ser humano.
O Papel da Educação Física no Desenvolvimento Humano
O principal instrumento da educação
física é o movimento, por ser o denominador comum de diversos campos
sensoriais. O desenvolvimento do ser humano se dá a partir da integração
entre a motricidade, a emoção e o pensamento.
No caso específico da educação física, o
profissional dessa área possui ferramentas valiosas para provocar estímulos
que levem a esse desenvolvimento de forma bastante prazerosa: a brincadeira,
o jogo e o esporte.
A partir da brincadeira e do jogo, a
criança utiliza a imaginação que “é um modo de funcionamento psicológico
especificamente humano, que não está presente nos animais nem na criança
muito pequena” (Rego, 1995, p.81).
A partir da utilização da imaginação, a
criança deixa de levar em conta as características reais do objeto, se
detendo no significado determinado pela brincadeira.
“Mesmo
havendo uma significativa distância entre o comportamento na vida real e o
comportamento no brinquedo, a atuação no mundo imaginário e o estabelecimento
de regras a serem seguidas criam uma zona de desenvolvimento proximal, na
medida em que impulsionam conceitos e processos em desenvolvimento" (Rego,
1995, p. 83)
Esse impulso dado aos “conceitos e
processos de desenvolvimento” deverá ser fornecido pela educação física ao
propiciar jogos e brincadeiras que, intencionalmente, estimulem a imaginação
e a criatividade. Além disso, o processo de desenvolvimento dos indivíduos
tem relação direta com o seu ambiente sócio-cultural e eles não se
desenvolveriam plenamente sem o suporte de outros indivíduos da mesma
espécie.
Dessa forma, percebe-se que a escola, e
neste caso específico a educação física, tem um papel fundamental no
aprendizado e conseqüentemente no desenvolvimento dos indivíduos, desde que
estabeleça situações desafiadoras para seus alunos.
A interferência de outras pessoas
(professor e outros alunos) é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo.
O papel do professor deve ser o de interventor intencional, estimulando o
aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades através de propostas
desafiadoras que o leve a buscar soluções, por intermédio da sua própria
vivência e das relações interpessoais. Isto não deve significar uma educação
autoritária, mas sim, uma educação que possibilite ao aluno, por meio de
estratégias estabelecidas pelo professor, construir o seu próprio
conhecimento, com a reestruturação e reelaboração dos significados que são
transmitidos ao indivíduo pelo seu meio sócio-cultural.
Qualquer
processo de ensino para ser eficiente deve levar em conta o nível de
desenvolvimento real da criança e o seu nível de desenvolvimento potencial
adequado a sua faixa etária, conhecimentos e habilidades que já possui.
O profissional de educação física ao
trabalhar na educação infantil deve conhecer os estágios do desenvolvimento
dessa fase, para proporcionar os estímulos adequados a cada etapa. Agindo
dessa forma, o desenvolvimento será mais harmônico no campo motor, cognitivo
e afetivo-social, trabalhando assim, o ser na sua forma integral.
A evolução infantil obedece a uma
seqüência motora, cognitiva, e afetiva-social que ocorrerá de forma mais
lenta ou mais acelerada, de acordo com os estímulos recebidos. A criança
entre de 1 ano e meio e os dois anos de idade age sem refletir. O ato precede
o pensamento. A partir dessa fase, a criança já adquire duas funções
importantíssimas: o andar e a linguagem. O pensamento passa a ser projetado
no exterior pelos movimentos e pela linguagem. Isto permitirá uma maior
participação na sua relação com o meio. A ação da criança sobre o meio
estimulará sua atividade mental. A partir daí, a criança começa a ter maior
consciência sobre sua própria pessoa, iniciando a formação da sua
auto-imagem. Em seguida, a criança vai iniciando a sua vida social ao formar
pequenos grupos, porém ocorre uma troca constante de amizades e de grupos
(escola, clubes,etc.). Esse intercâmbio social é essencial, pois leva a
criança a se adaptar a diferentes papéis, reconhecendo-se como pessoa.
Nesse sentido, cada fase de desenvolvimento
infantil tem suas próprias características, portanto, exige estudos
aprofundados sobre os métodos pedagógicos, as qualidades dos estímulos
fornecidos e a atuação intencional do profissional na aula de educação
física. O professor deve levar em conta a peculiaridade de cada fase pela
qual o aluno passa, as particularidades de cada jogo, brincadeira ou esporte
que possam auxiliar o educando no seu desenvolvimento integral.
Pela importância que a infância
representa na formação da personalidade do indivíduo, esses estudos devem
estar respaldados por uma “práxis” pedagógica que leve a uma organização
didática, modificando a visão de aulas de educação física de embasamentos
estritamente empíricos, para uma visão mais científica, evitando-se um choque
entre teoria e prática o que poderá refletir negativamente na formação de
nossos jovens.
|
|
Saiba mais
BERGER Peter
& LUCKMAN, A. Construção social da realidade. Petrópolis: Vozes,
1995.
BONAMIGO et al. Como ajudar a criança no seu desenvolvimento. Rio Grande do Sul: Editora da
Universidade, 1982.
SHIGUNOV,
V. e PEREIRA, V. Pedagogia da educação física: o desporto coletivo na
escola os componentes afetivos. São Paulo: IBRASA, 1993.
|
|
Grupo de estudos
de educação física escolar - graduandos do Curso de Educação Física da
Universidade Católica de Brasília, sob Coordenação do
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário